O jogo da importação
Em Santa Catarina virou rotina ver cidades montando elencos para JASC, Joguinhos e OLESC com atletas de fora. O resultado chega mais rápido, mas a pergunta é simples e incômoda, a que custo. Quando a camisa muda a cada temporada e o vínculo com a comunidade se perde, a vitória do ano seguinte cobra a conta do ano passado. O torcedor comemora, a base assiste de longe e o legado não aparece.
O que os regulamentos permitem
As regras da Fesporte permitem convocação de atletas de outros municípios por modalidade e naipe, dentro de limites definidos em regulamento geral. Em 2025 também houve atualização que trata da participação de atletas de fora em número restrito. Ou seja, a importação não é ilegal, é uma escolha de gestão. O ponto é equilibrar o permitido com um projeto que valorize quem é formado em casa. Além disso, os altos custos envolvidos nessa importação poderiam ser melhor aplicados no fortalecimento do esporte comunitário e de base, multiplicando resultados de forma mais duradoura.
O pêndulo começou a mexer
A pauta já chegou ao debate oficial no estado. A Assembleia Legislativa discutiu em audiências públicas a presença de atletas de fora de Santa Catarina e aprovou norma específica no vôlei de praia para conter distorções. Há um movimento claro por critérios mais rigorosos e por incentivo à formação local. Para quem gere esporte municipal, ignorar esse vento de mudança é perder contato com a realidade.
Itajaí entre resultado e legado
Itajaí tem capacidade técnica e estrutura para competir com protagonismo, mas o caminho mais inteligente é o de duas pistas. A primeira, manter elencos competitivos sem ultrapassar os limites éticos e financeiros. A segunda, transformar a base em prioridade estratégica. Isso significa fortalecer escolinhas, integrar clubes e projetos ao calendário da cidade, dar minutagem real ao atleta local e atrelar parte do investimento de rendimento à presença de talentos formados aqui. O resultado importa, mas o legado é o que fica quando o placar apaga.
O que outras cidades já ensaiam
Há municípios que começaram a ajustar critérios internos, limitando convocações externas e valorizando atletas vinculados à rede local de formação. Em outros, a discussão entrou no calendário oficial e nos conselhos de esporte como métrica de política pública. A tendência é clara, menos atalho, mais processo. O título vem para somar, não para substituir o trabalho de base.
O caminho que vale a pena
A importação responsável pode compor elenco e acelerar ciclos, mas não substitui a construção diária. Para Itajaí, a rota vencedora é estabelecer metas anuais de participação de atletas da casa, premiar projetos que revelam gente, mediar acordos entre escolas, clubes e fundação para que a base tenha trilha até o rendimento e blindar orçamento mínimo para formação. Quem aposta na base cria identidade, reduz dependência de mercado e transforma resultado em patrimônio esportivo da cidade.

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