domingo, 31 de agosto de 2025

O futuro das apostas esportivas no Brasil


O boom que não para

As casas de apostas chegaram ao Brasil de mansinho, mas em poucos anos já estão estampadas nas camisas de quase todos os grandes clubes. A regulamentação recente, com a sanção da Lei 14.790/2023, consolidou esse mercado bilionário, que promete movimentar cifras gigantescas nos próximos anos. Para os clubes, significa novas receitas. Para o governo, arrecadação de impostos. Para o torcedor, uma experiência que mistura paixão e dinheiro.

O impacto nos clubes

A presença das casas de apostas já é tão grande que muitos clubes dependem desse patrocínio para fechar as contas. Estima-se que, em alguns casos, a fatia das casas no orçamento supere o valor de cotas de televisão. O Athletico-PR, por exemplo, fechou contrato milionário com uma plataforma digital, enquanto gigantes como Flamengo e Corinthians já faturam acima de R$ 100 milhões anuais com esse mercado. Isso muda o equilíbrio financeiro do esporte e cria uma nova relação de poder.

O torcedor apostador

O torcedor deixou de ser apenas espectador e passou a ser apostador. Cada escanteio, falta ou cartão virou motivo de expectativa financeira. A linha entre torcer e investir está cada vez mais fina. Mas a grande polêmica é outra: até que ponto essa cultura pode viciar e transformar o estádio em um cassino a céu aberto? Pesquisas já apontam aumento no número de jovens brasileiros que entram em dívidas por conta de apostas esportivas, repetindo um cenário preocupante que já é realidade no Reino Unido.

A sombra nas artes marciais

Se no futebol o risco é manipulação de resultados em divisões menores, nas artes marciais o dilema é diferente. O UFC, maior liga de MMA do mundo, precisou banir apostas em lutas no Canadá depois de denúncias de manipulação em 2022. Houve suspeitas de que treinadores vazavam informações privilegiadas sobre lesões de atletas para apostadores. Esse caso acendeu o alerta global. Se até uma organização bilionária precisou intervir, imagine o tamanho do risco em circuitos menores, como campeonatos de jiu-jítsu e kickboxing no Brasil, que não têm a mesma fiscalização.

O jogo político e econômico

A regulamentação das apostas no Brasil foi vendida como solução para arrecadação e formalização. Só em 2024, a previsão de tributos supera R$ 6 bilhões. A própria Lei 14.790/2023 definiu como esses recursos seriam distribuídos entre esporte, seguridade social, educação e segurança. Mas os bastidores revelam uma briga acirrada entre governo, clubes e empresas pelo controle dessa receita. O torcedor, que arrisca seu dinheiro a cada palpite, dificilmente é quem mais ganha. O futuro do esporte nacional pode ficar nas mãos de plataformas estrangeiras que, na prática, já controlam parte relevante do fluxo financeiro.

O futuro em aberto

O Brasil está entrando de vez no jogo das apostas esportivas. O dinheiro é real, o crescimento é irreversível e as polêmicas estão só começando. A experiência internacional mostra que ganhos financeiros andam de mãos dadas com escândalos de manipulação e impactos sociais graves. Para que o espetáculo não se torne refém das apostas, será preciso transparência, fiscalização rígida e responsabilidade social. O certo é que, daqui para frente, cada apito inicial também será o disparo de uma engrenagem financeira que envolve muito mais do que a bola rolando ou o gongo tocando.


Airlon Jaques
Educador Físico, Gestor Público e Escritor.
Instagram: @airlonjaques

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

A nova economia do atleta

 



Muito além dos contratos tradicionais

A renda de um atleta sempre se apoiou em diferentes pilares. Salário de clube, patrocínios comerciais, cotas de exposição em mídias e até incentivos públicos, como bolsas oferecidas por programas governamentais, formaram por décadas a base de sustentação da carreira esportiva. A novidade é que agora existe uma via adicional que pode transformar completamente esse cenário: a monetização da imagem digital. Redes sociais e plataformas online permitem que o atleta gere receita direta, independente dos contratos tradicionais.

O peso da marca pessoal

Um atleta que se posiciona bem nas redes sociais conquista algo que nenhum contrato pode garantir: visibilidade constante. Quanto mais sólida é sua marca pessoal, maior a chance de atrair patrocínios, parcerias e convites para eventos. Nesse jogo, engajamento vale tanto quanto performance.

O exemplo que inspira

Atletas que dominam as redes conseguem dobrar ou até triplicar sua renda. É a lógica da economia da atenção: quem prende a audiência conquista espaço. No Brasil e no mundo, já há exemplos de jovens promessas que, mesmo antes de grandes títulos, sustentam suas carreiras por meio da força de sua presença digital.

Oportunidade para todos

Essa realidade não é exclusiva dos profissionais de elite. Jogadores de base, atletas amadores e praticantes de esportes alternativos também podem se beneficiar. A internet eliminou barreiras, permitindo que um ciclista local ou uma lutadora amadora encontrem público fiel e marcas dispostas a investir.

O risco do silêncio digital

Ignorar esse movimento é perder oportunidades. Um atleta que não trabalha sua imagem abre espaço para que outro ocupe o mesmo nicho. Além disso, volta a depender da mídia tradicional para conquistar espaço e visibilidade, o que o torna menos competitivo em relação a quem constrói sua própria audiência. Em um mundo em que a atenção está nas telas, quem não aparece simplesmente não é lembrado.

O futuro em construção

A economia do atleta mostra que talento esportivo e gestão de imagem caminham lado a lado. Quem entende isso cedo transforma sua carreira em uma plataforma de múltiplas receitas. No esporte moderno, jogar bem é apenas metade do jogo. A outra metade está em saber contar sua história.


Airlon Jaques
Educador Físico, Gestor Público e Escritor.
Instagram: @airlonjaques

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

E-sports e o Futuro do Esporte



O Jogo Virou

Afinal, o que é esporte? Essa pergunta que antes parecia simples, agora desafia a lógica. Se a resposta fosse apenas sobre suor e músculo, como explicar o xadrez? Se o xadrez, um duelo de mentes milenar, é esporte, por que os videogames não seriam? O jogo virou, e o palco, que antes era só o gramado, hoje é a tela. O que a maioria vê como brincadeira, a nova economia do esporte já entende como a próxima grande fronteira.

O Alcance que Nenhuma Bola Atinge

A prova mais irrefutável de que os esports são uma força incontrolável está no público. No Brasil, uma final do campeonato de Free Fire já superou a audiência da final da Champions League na televisão. Em um mundo onde o jogo Valorant tem mais jogadores ativos que muitos esportes tradicionais, ignorar o alcance dessa modalidade é ignorar a juventude. Esse público não está apenas assistindo, ele está vivendo e respirando uma cultura que movimenta bilhões.

O Fluxo do Dinheiro

Por trás das telas, o dinheiro flui como nunca. O cenário de eSports global, estimado em mais de 1 bilhão de dólares, atrai não apenas marcas de tecnologia, mas gigantes de todos os setores. A Nike patrocina equipes, a Red Bull investe em atletas e a BMW fecha parcerias com ligas. Essas empresas não estão aqui por hobby, e sim por pura lógica de mercado: elas seguem o público e o público está nos games. Um evento de sucesso não se paga com ingressos, mas com o capital de marcas que querem se conectar com essa audiência.

O Grande Desafio de Itajaí

O passo seguinte, para Itajaí ou outras cidades de médio porte, não é tentar replicar o que se vê em arenas milionárias. O modelo inteligente, que discutimos aqui, é o híbrido. As preliminares acontecem online, com milhares de jogadores competindo de suas casas. A cidade entra como o palco da grande final, o clímax da competição, com a presença dos melhores times e uma estrutura de ponta. Isso reduz os custos logísticos em até 90% e ainda garante um evento de alto impacto.

A Tecnologia na Ponta dos Dedos

Para que a competição a distância seja justa e organizada, o processo já é profissional. Plataformas especializadas como Challengermode, Battlefy e Toornament cuidam de toda a logística online, da inscrição ao agendamento de partidas. Essas ferramentas são a garantia de que as regras serão seguidas, eliminando a desorganização e dando credibilidade ao torneio, mesmo que os competidores estejam a quilômetros de distância.

Oportunidade à Vista

O recurso existe, o público também. A questão não é mais "se", mas "quando" o esporte digital se tornará parte integrante da nossa realidade. A documentação em dia e a elaboração de projetos podem ser o caminho para que nossa cidade não apenas assista, mas participe ativamente dessa revolução.


Airlon Jaques 
Educador Físico, Gestor Público e Escritor.
Instagram: @airlonjaques


domingo, 24 de agosto de 2025

Lei Magnitsky no esporte


Legislação que não conhece fronteiras

A Lei Magnitsky é americana, mas seus efeitos ultrapassam qualquer limite geográfico. Ela permite aos Estados Unidos sancionar indivíduos, empresas e até instituições estrangeiras, congelando bens e proibindo transações com qualquer cidadão ou empresa ligada ao sistema financeiro americano. No papel parece distante, mas no dia a dia já está batendo às portas do esporte brasileiro.

O caso Moraes

Quando o ministro Alexandre de Moraes foi incluído sob sanção americana, o impacto foi imediato. Ainda que a medida tenha como alvo o indivíduo, os bancos brasileiros ficaram em alerta e tiveram de reforçar seus filtros de compliance, que nada mais é do que o conjunto de normas e práticas para garantir que operações financeiras estejam em conformidade com regras nacionais e internacionais. Isso acendeu uma luz vermelha em setores que lidam com dinheiro internacional, entre eles o esporte. A mensagem foi clara: os efeitos da lei são práticos, e ninguém está totalmente fora de alcance.

Bola travada no Brasil

O futebol já sentiu essa pressão. O Botafogo desistiu de contratar o volante Wendel, do Zenit, temendo sanções. O Flamengo, por sua vez, viu a negociação de Lorran com o mesmo clube russo travar por causa das dificuldades de transferir recursos entre Brasil e Rússia. A geopolítica entrou em campo e deixou claro que bons jogadores não bastam, é preciso estar atento às listas internacionais.

Do octógono ao campo

E não é só o futebol. O mundo do MMA foi diretamente atingido quando a organização russa Akhmat MMA, ligada a Ramzan Kadyrov, entrou na lista do OFAC. Atletas, promotores e patrocinadores ligados a ela foram isolados do circuito internacional. O exemplo mostra que modalidades inteiras podem ser afetadas quando a política e o esporte se cruzam.

Se a maré subir

Se esse cenário escalar no Brasil, entidades esportivas podem enfrentar travas em patrocínios, bloqueios em transferências internacionais e até cancelamento de contratos. Bancos, marcas globais e plataformas de pagamento tendem a adotar uma postura de overcompliance, que é quando por excesso de zelo preferem cortar relações comerciais inteiras a correr qualquer risco de punição. Isso pode afetar parceiros internacionais, clubes amadores e federações nacionais.

O caminho da prevenção

O esporte brasileiro precisa estar preparado. Manter documentação em dia, revisar cláusulas contratuais de sanções, checar  e planejar rotas alternativas de pagamento já não é exagero, mas uma necessidade. O jogo mudou. A Lei Magnitsky mostrou que, no tabuleiro global, até o esporte precisa jogar conforme as regras do poder financeiro internacional.


Airlon Jaques
Educador Físico, Gestor Público e Escritor.
Instagram: @airlonjaques

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Como acessar recursos disponíveis para o esporte



Documentação em dia, sempre

Muitas associações e ONGs esportivas esbarram em um ponto básico, mas decisivo: a organização documental. Estatuto atualizado, atas assinadas, CNDs válidas e registro em conselhos são exigências mínimas para acessar qualquer tipo de recurso público. Quando esses requisitos não estão em ordem, o projeto pode ser excelente, mas a oportunidade se perde.

A arte de escrever projetos

Com a documentação em ordem, outro desafio está em transformar boas ideias em projetos bem estruturados. O poder público exige clareza em metas, indicadores, cronograma e orçamento detalhado. Muitos acabam ficando de fora justamente por não dominar essa escrita técnica. A boa notícia é que existem modelos de referência, editais anteriores e até capacitações gratuitas que podem ajudar nesse processo.

Dinheiro existe e está disponível

Em Itajaí, a Lei de Incentivo ao Esporte Municipal e o Bolsa Atleta são exemplos concretos de programas acessíveis. Além disso, há o PIE que é o Programa de Incentivo ao Esporte do Governo do Estado e da Fesporte, o FIA que é o Fundo da Infância e Adolescência, a Lei de Incentivo ao Esporte Federal e também as emendas parlamentares. O recurso está disponível, mas é preciso preparo para alcançá-lo.

Apoio especializado

Para facilitar esse preparo, uma informação importante que muitas entidades desconhecem, é a existência de profissionais especializados em elaborar projetos e orientar na parte documental, que não cobram diretamente pelo serviço. Eles recebem sua remuneração dentro do próprio projeto, como parte do suporte administrativo. Essa prática facilita muito a vida das associações que querem iniciar na captação.

Oportunidade à vista

Quando a documentação está organizada e o projeto bem elaborado, o sonho se transforma em realidade. Escolinhas de bairro, academias comunitárias e associações amadoras podem disputar esse espaço e garantir apoio financeiro. Em Itajaí já existem entidades que sustentam suas atividades com base nessa captação. Chegou a hora de mais organizações fazerem parte desse movimento.

Um guia constante

O recurso existe e o conhecimento também precisa circular. É preciso profissionalizar as entidades esportivas para abrir portas que hoje parecem fechadas. O esporte precisa de gestores preparados e, para isso, é fundamental buscar orientação. Se você quer saber mais sobre como dar o primeiro passo, entre em contato. 


Airlon Jaques
Educador Físico, Gestor Público e Escritor.
Instagram: @airlonjaques

Histórico Acadêmico e Profissional

 1.    Dados pessoais: 

  • Nome: Airlon da Silva Jaques
  • Registro profissional: CREF 4488-P/SC
  • Naturalidade: Itajaí, SC - Data de Nascimento: 21/10/1974
  • Endereço: Rua Rodolfo Bosco, nº 85, bairro Cordeiros, Itajaí, SC
  • Fone: (47) 99649.5973 – Email: airlon@hotmail.com 

2.    Formação: 

  • Graduado em Gestão Pública pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci;
  • MBA em Gestão e Políticas Públicas Municipais pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci;
  • Pós-Graduado em Gestão de Serviço Social pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci;
  • Pós-Graduado em Gestão e Educação Ambiental pela UNIASSELVI;
  • MBA Executivo em Gestão Portuária pela Faculdade Serra Geral;
  • Pós-Graduado em Ciências Políticas e Gestão Pública pela Faculdade Iguaçu;
  • Pós-Graduado em Administração Pública pela Faculdade Iguaçu;
  • Pós-Graduado em Gestão de Cidades e Planejamento Urbano pela Faculdade Iguaçu;
  • MBA em Gestão em Logística pela Faculdade Iguaçu;
  • Mestrado Internacional em Ciências Políticas com especialização em Cooperação Internacional pela Universidad Europea del Atlántico;
  • Bacharel em Educação Física pela Universidade Cruzeiro do Sul;
  • Pós-Graduado em Gestão e Organização Esportiva pela UNIASSELVI;
  • Pós-Graduado em Treinamento Desportivo pela UNIASSELVI;
  • Pós-Graduado em Treinamento Físico para a Terceira Idade pela Faculdade Iguaçu;
  • Pós-Graduado em Educação Especial Inclusiva pela UNIASSELVI;
  • Pós-Graduado em Atividade Física e Saúde pela Faculdade Iguaçu;
  • Pós-Graduado em Fisiologia do Exercício pela Faculdade Iguaçu;
  • Inglês fluente;
  • Course of Smart Cities for Sustainable Development by World Bank Group;
  • Graduado Mestre de Kung-Fu Boxe Chinês (9º nível – 4º duan) e certificado árbitro oficial pela Confederação Brasileira de Kung-Fu Wushu (CBKW);
  • Nomeado Cidadão Emérito da cidade de Itajaí, SC. 

3.    Principais experiências profissionais: 

  • Vereador no município de Itajaí, SC;
  • Secretário de Esportes no município de Itajaí, SC e criador do Fundo de Assistência Municipal ao Esporte de Itajaí (FAMESPI);
  • Conselheiro Estadual de Esportes do Estado de SC;
  • Assessor na Secretaria de Articulação Nacional;
  • Portuário desde o ano de 1994 e 11 anos de experiência em agência marítima e comércio exterior;
  • Presidente da Federação de Kung-Fu Wushu de Santa Catarina entre os anos de 2011 a 2013;
  • Atuante como professor de arte marcial desde 1994 e praticante desde 1989, é voluntário em um trabalho social sólido com o esporte na cidade de Itajaí, onde atende centenas de pessoas de forma gratuita.