O Histórico de Negligência na Gestão Esportiva
A análise da Fundação Municipal de Esporte e Lazer, nas últimas décadas, revela um padrão de comportamento político que ignora a necessidade de continuidade administrativa. O esporte em Itajaí raramente foi gerido por mãos que compreendem a complexidade técnica do setor, preferindo-se o arranjo de conveniência em detrimento da eficiência. O que assistimos, ao longo dos anos, é a repetição de um ciclo onde promessas de infraestrutura e novos ginásios ocupam o discurso, enquanto os equipamentos públicos existentes permanecem em estado de abandono absoluto. O resultado dessa escolha política é uma estrutura praticamente nula, que não atende às demandas básicas da comunidade esportiva.
O Colapso dos Projetos de Base e o Desamparo do Atleta
A realidade atual da fundação apresenta sintomas graves de uma administração que perdeu o compromisso com o fomento real. O corte de bolsas esportivas e a descontinuação de projetos sociais de base representam um retrocesso que compromete o futuro de centenas de jovens talentos. Não se trata apenas de uma questão orçamentária, mas de uma falha na priorização de quem realmente faz o esporte acontecer. As constantes reclamações sobre a falta de transporte para eventos evidenciam que o suporte básico foi negligenciado, transformando a rotina do atleta itajaiense em uma luta constante contra a própria instituição que deveria apoiá-lo.
A Inércia do Fundo Municipal de Esportes
Um dos pontos mais críticos da gestão atual é a não utilização do Fundo Municipal de Esportes, que foi uma conquista estruturante da gestão anterior. Este mecanismo foi criado justamente para garantir que o recurso chegasse à ponta de forma desburocratizada e eficiente, alimentando as modalidades e garantindo a manutenção das atividades. No entanto, o fundo permanece inutilizado, enquanto os projetos mendigam investimentos e a estrutura física da cidade definha. A ausência de uma execução técnica sobre esses valores demonstra uma incapacidade de operar as ferramentas legais que já estão disponíveis para salvar o esporte local.
O Limbo Institucional do Conselho Municipal
A governança do esporte em Itajaí sofre, hoje, com o esvaziamento do controle social devido à desarticulação do Conselho Municipal de Esportes. O órgão continua sem a devida recomposição e não possui conselheiros com mandato ativo, o que retira da comunidade esportiva o seu principal instrumento de fiscalização e deliberação. Sem um conselho atuante, as decisões da fundação ocorrem sem o crivo de quem entende a realidade das quadras e dos tatames. A reativação desse conselho é uma obrigação legal e moral que está sendo ignorada, deixando a gestão da FMEL operando em um vácuo de transparência e participação popular.
A Qualificação como Chave para o Desenvolvimento
O debate sobre os cargos de confiança na FMEL passa pela exigência de competência técnica de quem ocupa as cadeiras estratégicas. O meu livro destaca que o problema reside na indicação de perfis sem aderência com a área e que desconhecem os marcos regulatórios do esporte. É inadmissível que uma cidade com o potencial econômico de Itajaí aceite um time de gestão que não consegue entregar o básico. Enquanto a lealdade partidária valer mais que a capacidade de gerir o fundo e o conselho, o esporte de Itajaí continuará sendo o maior derrotado nesse jogo invisível da política.


Nenhum comentário:
Postar um comentário