domingo, 2 de agosto de 2026

Resenha Final



Uma nova vitrine para o esporte de Itajaí

Aos domingos, das 20h às 21h30, estreiou na TVBE Itajaí o programa Resenha Final, apresentado por Airlon Jaques, com a participação da jornalista Joice Ristow. A proposta nasce com uma função importante para o cenário esportivo local: abrir espaço permanente para atletas, técnicos, dirigentes, professores, projetos, entidades e personagens que movimentam o esporte da cidade. Em uma realidade onde muitas iniciativas possuem impacto comunitário. A criação de uma vitrine semanal na televisão representa um avanço na valorização de quem trabalha diariamente pela prática esportiva.

Instrumento de desenvolvimento esportivo

O esporte municipal também depende de visibilidade. Um atleta que aparece, um projeto que se apresenta, uma entidade que explica sua atuação e um técnico que mostra seus resultados passam a ocupar outro lugar no debate público. A comunicação fortalece reputações, aproxima patrocinadores, amplia redes de apoio e ajuda a transformar esforço cotidiano em reconhecimento social. O Resenha Final entra nesse espaço como ferramenta de promoção institucional do esporte de Itajaí.

O formato ao vivo e a participação da comunidade

A transmissão ao vivo fortalece a relação entre programa e público. O telespectador poderá enviar mensagens, fazer perguntas, participar da conversa e concorrer aos brindes sorteados durante a edição. Essa dinâmica aproxima a comunidade da pauta esportiva e cria um ambiente de interação permanente. O esporte local ganha voz quando a população participa e reconhece nas histórias apresentadas uma parte da própria cidade.

O papel jornalístico do giro de notícias

A presença de Joice Ristow no giro de notícias amplia a identidade do programa e organiza a informação esportiva da semana. Acontecimentos do esporte local passam a ser apresentados de forma regular, com linguagem acessível e ritmo televisivo. Esse bloco ajuda a consolidar memória esportiva, registra conquistas, acompanha trajetórias e oferece ao público uma visão mais ampla do que acontece dentro e fora das competições.

A valorização dos personagens do esporte

Cada convidado do Resenha Final levará para a televisão uma história que normalmente circula apenas dentro de academias, clubes, quadras, campos e projetos sociais. Essa exposição possui valor concreto. A entrevista pode ser compartilhada depois em cortes, enviada a patrocinadores, utilizada como material de divulgação e incorporada à trajetória pública do participante. A televisão amplia o alcance de quem já trabalha pelo esporte e cria oportunidade para que novas parcerias surjam a partir da credibilidade da apresentação.

A importância de registrar o esporte da cidade

Muitas realizações esportivas se perdem pela ausência de registro e um programa semanal cria continuidade. Ao reunir entrevistas, notícias, participação popular e cobertura regular, o Resenha Final passa a funcionar também como arquivo vivo do esporte de Itajaí. Essa memória fortalece a identidade esportiva do município e contribui para que boas iniciativas tenham permanência simbólica.

Uma agenda permanente para o esporte local

A estreia do Resenha Final representa a abertura de um novo espaço para o esporte itajaiense. A cidade possui praticantes, profissionais, entidades e projetos com potencial para ocupar a televisão com conteúdo qualificado. A cada domingo, o programa poderá aproximar a comunidade desses personagens e transformar a visibilidade em desenvolvimento. Quando o esporte local ganha espaço, ganha também a possibilidade de ser reconhecido, apoiado e fortalecido.

O Resenha Final vai ao ar todos os domingos, das 20:00 as 21:30 horas na TVBE, televisão aberta de Itajaí, SC, no canal 21 e também pelo facebook da emissora ou no www.tvbe.com.br


Airlon Jaques
Profissional de Educação Física, Gestor Público e Escritor
Instagram: @airlonjaques


domingo, 19 de julho de 2026

O estádio que enxerga você


A Copa mudou a segurança

A Copa do Mundo de 2026 consolidou uma nova etapa na segurança dos grandes eventos esportivos. O reconhecimento facial passou a integrar a operação das cidades-sede e milhões de torcedores tiveram sua identidade utilizada durante o acesso aos estádios. A competição estabeleceu um novo padrão tecnológico para eventos dessa dimensão.

Drones entram no planejamento

O governo dos Estados Unidos destinou US$ 250 milhões, cerca de R$ 1,4 bilhão, para sistemas de detecção e neutralização de drones. O investimento demonstra que o espaço aéreo passou a integrar o planejamento da segurança esportiva e recebeu atenção específica durante toda a competição.

Os limites da tecnologia

Relatos registrados durante partidas em Dallas apontaram falhas no controle de acesso em alguns momentos da competição. A FIFA informou que não encontrou evidências de uma invasão organizada. O episódio reforçou a importância de protocolos operacionais eficientes e equipes permanentemente treinadas para atuar ao lado dos sistemas tecnológicos.

Inteligência artificial

A FIFA monitorou mais de 53 milhões de publicações nas redes sociais durante a Copa. O sistema identificou mais de 7 milhões de mensagens abusivas e encaminhou aproximadamente 1.000 ameaças graves às autoridades policiais. A iniciativa ampliou a capacidade de identificação de autores de crimes praticados no ambiente digital.

Proteção de dados

A utilização do reconhecimento facial exige regras claras para tratamento dos dados biométricos dos torcedores. Informações dessa natureza possuem caráter permanente e demandam elevados padrões de segurança para armazenamento e utilização pelas instituições responsáveis.

A realidade brasileira

A Lei Geral do Esporte determina a identificação biométrica em arenas com capacidade superior a 20 mil espectadores. A norma fortalece o controle de acesso aos estádios e acompanha uma tendência internacional de utilização da tecnologia em grandes eventos esportivos.

A realidade de Itajaí

O projeto do novo Estádio Dr. Hercílio Luz prevê capacidade inferior ao limite estabelecido pela Lei Geral do Esporte para tornar obrigatória a biometria facial. Essa condição dispensa a exigência legal, porém não impede sua adoção. A implantação voluntária desse sistema fortaleceria a segurança do estádio, reduziria fraudes na utilização de ingressos e prepararia a estrutura para futuras ampliações ou mudanças na legislação. Planejar essa tecnologia durante a construção custa menos do que adaptar o estádio depois de pronto e representa um investimento compatível com um equipamento público pensado para as próximas décadas.


Airlon Jaques
Profissional de Ed. Física, Gestor Público e Escritor.
Instagram: @airlonjaques



domingo, 12 de julho de 2026

A responsabilidade da FMEL na segurança esportiva

 


A gestão que precisa responder

A morte de uma criança após a queda de uma trave em uma quadra esportiva de Itajaí exige uma resposta administrativa compatível com a gravidade do fato. A Fundação Municipal de Esporte e Lazer conduz a política esportiva do município e ocupa posição central nesse debate. A segurança da infraestrutura esportiva faz parte direta dessa responsabilidade institucional.

O limite da explicação isolada

Itajaí já registrou uma tragédia semelhante em 2010 e vários acidentes menores desde então. A repetição de ocorrência envolvendo o mesmo tipo de equipamento enfraquece qualquer leitura baseada apenas na excepcionalidade. A gestão pública precisa transformar fatos graves em procedimento, controle e prevenção. Quando esse aprendizado institucional falha, a população permanece exposta a riscos conhecidos.

A obrigação administrativa da prevenção

A FMEL precisa tratar a infraestrutura esportiva como área permanente de gestão de risco. Isso exige rotina técnica, registro documental e decisão administrativa rápida diante de qualquer sinal de insegurança. A prevenção precisa sair do discurso posterior ao acidente e entrar na rotina diária da Fundação.

A comunidade como parte do controle

A população utiliza os espaços esportivos todos os dias e muitas vezes percebe o problema antes da administração. Por isso, Itajaí precisa de um canal simples, rápido e funcional para relatar equipamentos defeituosos ou em situação de risco. A denúncia precisa gerar protocolo, vistoria e resposta objetiva. Sem esse caminho direto, a informação se perde, o risco permanece e a responsabilidade pública fica diluída.

O ponto central da cobrança

A cidade precisa saber qual era o controle existente sobre aquele espaço, qual setor acompanhava sua condição de uso e quais procedimentos eram aplicados para liberar ou restringir o acesso da população. Essas respostas pertencem ao campo da gestão pública. A ausência de informação clara aprofunda a insegurança institucional e fragiliza a confiança da comunidade.

A resposta necessária

A FMEL deve apresentar um plano objetivo de segurança para a infraestrutura esportiva municipal. A medida precisa definir responsabilidade, fiscalização contínua, canal de denúncia e transparência sobre as condições dos espaços utilizados pela população. Uma política esportiva séria protege o usuário antes de promover qualquer atividade.

O teste da gestão esportiva

A qualidade de uma Fundação de Esporte se mede também pela capacidade de garantir segurança nos espaços sob sua influência administrativa. A tragédia ocorrida em Itajaí colocou essa responsabilidade em evidência. A resposta da FMEL dirá se o município aprendeu com o passado ou continuará tratando a prevenção como providência tardia.


Airlon Jaques
Profissional de Educação Física, Gestor Público e Escritor.
Instagram: @airlonjaques



domingo, 5 de julho de 2026

Inflexão e o Esporte

 


O Vício pelo Resultado e o Reducionismo Esportivo

O esporte contemporâneo desenvolveu uma obsessão pelo resultado que limita a compreensão real do desempenho. A análise de uma temporada costuma terminar na classificação e a avaliação de um atleta costuma resumir-se ao número de medalhas. Esse hábito simplifica o esporte porque concentra toda a atenção no ponto de chegada, ignorando as engrenagens metodológicas da preparação. Avaliar a eficiência de uma carreira ou de uma equipe apenas pelo placar final é um reducionismo que esconde o verdadeiro desenvolvimento do praticante. O resultado é apenas a consequência tardia de um processo silencioso que ocorreu muito antes da competição.

O Conceito de Inflexão e a Quebra de Paradigma

A oposição conceitual no esporte demonstra que, enquanto o público enxerga a vitória como um estalo momentâneo, o olhar técnico identifica a inflexão como uma mudança matemática de direção. A inflexão representa o exato momento em que uma trajetória assume um novo rumo, rompendo com a estagnação anterior. Uma mudança metodológica na rotina de treinos, o ajuste fino da biomecânica ou a introdução de uma nova estratégia tática alteram a curva de rendimento. O pódio registra a consequência visível, mas a inflexão real aconteceu no dia em que o processo técnico foi reestruturado de forma profunda.

A Miopia do Imediatismo e o Tempo de Maturação

O erro mais comum na preparação esportiva é a cobrança por evolução imediata, o que entra em conflito com o tempo biológico e técnico do atleta. Projetos de formação e transição para o alto rendimento exigem anos de estímulos ordenados para consolidar a performance. O treinamento esportivo de alto nível demanda tempo para alterar a capacidade funcional e a mentalidade competitiva do praticante. A pressa por resultados precoces frequentemente quebra o ciclo de desenvolvimento, gerando lesões ou o abandono da modalidade antes que a curva de aprendizado atinja seu ponto de maturação ideal.

A Ciência do Processo e o Estudo das Trajetórias

Pesquisas sobre desenvolvimento motor e psicologia do esporte comprovam a dificuldade de prever o sucesso de longo prazo sem uma análise rigorosa das variáveis do ambiente. O desempenho observado em fases iniciais oferece dados limitados e a fixação em resultados imediatos desconsidera a importância do amadurecimento técnico. O percurso esportivo permanece sujeito à qualidade do treinamento, à disciplina e às oportunidades de maturação que surgem ao longo dos anos. A trajetória do atleta é construída na constância do método e na capacidade adaptativa do organismo frente aos estímulos programados.

A Mudança de Foco do Indivíduo para o Método

O conceito de inflexão direciona a atenção diretamente para os fatores estruturais que alteram a trajetória do praticante. O foco deixa de estar na busca por respostas abstratas e passa a incluir o processo, transformando a forma como equipes e atletas saem da estagnação para o topo do pódio. Compreender essa lógica é o que diferencia o espectador comum do profissional do esporte. A maior parte das pessoas acompanha apenas o momento da linha de chegada, mas o esporte revela sua lógica real quando deciframos os pontos de inflexão que mudaram o rumo da história.


Airlon Jaques
Profissional de Educação Física, Gestor Público e Escritor
Instagram @airlonjaques



domingo, 28 de junho de 2026

O Tai Chi Chuan como Política Pública de Saúde

 


A busca por eficiência na atenção primária à saúde

A busca por sustentabilidade e eficiência nos sistemas municipais de saúde exige a implementação de práticas preventivas baseadas em evidências científicas robustas. Diante do envelhecimento populacional e do aumento expressivo das doenças crônicas, a gestão pública necessita de intervenções de baixo custo operacional e alto impacto no atendimento básico. Nesse cenário, o Tai Chi Chuan, uma arte marcial interna de origem chinesa voltada para o equilíbrio corporal, consolida-se como uma ferramenta estratégica de saúde pública e medicina preventiva.

Fundamentos da física do corpo e a fisiologia do movimento

Diferente de atividades físicas convencionais que causam forte impacto nas articulações, o Tai Chi Chuan baseia-se em movimentos circulares, contínuos e lentos, coordenados por uma respiração abdominal profunda. Do ponto de vista mecânico, a prática promove a transferência controlada de peso de uma perna para a outra, o que estimula diretamente os sensores naturais de equilíbrio localizados nos nossos tendões e articulações. Esse processo fortalece a musculatura do abdômen e os músculos que sustentam a coluna e o quadril, aumentando o controle postural e a velocidade de reação do corpo para evitar quedas. Fisiologicamente, a lentidão dos movimentos associada à concentração acalma o sistema nervoso, diminuindo os hormônios do estresse e reduzindo a frequência cardíaca de repouso, o que traz o organismo de volta ao seu estado de equilíbrio natural.

Evidências científicas e o impacto na atenção primária

O respaldo médico para a inclusão do Tai Chi Chuan nas diretrizes de saúde pública é amplo e validado por pesquisas clínicas internacionais. Estudos demonstram que a prática regular reduz de forma significativa o índice de quedas em idosos, um dos maiores fatores de internação e custo hospitalar na rede pública. O incremento na estabilidade e no equilíbrio dinâmico protege a população mais velha contra fraturas graves. No campo da saúde do coração, as pesquisas apontam uma redução consistente na pressão arterial em pacientes hipertensos que praticam a modalidade, equiparando-se aos resultados de caminhadas moderadas. A atividade também se mostra eficaz no controle das taxas de açúcar no sangue em pacientes com diabetes, melhora a capacidade pulmonar e eleva a imunidade geral, diminuindo a suscetibilidade a infecções.

Viabilidade orçamentária e a logística de implementação

Para o administrador público, a viabilidade técnica da modalidade está atrelada à sua extraordinária eficiência financeira e facilidade de organização. A implantação do Tai Chi Chuan nos bairros dispensa investimentos em obras pesadas, compra de maquinários ou manutenção de equipamentos esportivos caros. As aulas podem ser ministradas em espaços públicos abertos ou cobertos já existentes, como praças, quadras comunitárias, salões paroquiais ou pátios das Unidades Básicas de Saúde. A principal demanda orçamentária concentra-se no credenciamento e na remuneração de instrutores técnicos especializados, devidamente formados e certificados por escolas tradicionais da modalidade. Essa característica permite espalhar o programa rapidamente pelas regiões periféricas, ampliando o alcance social da prefeitura e gerando um alto retorno por cada real investido.

A diretriz de governança para a consolidação da prática

A recomendação estratégica para a inserção definitiva do Tai Chi Chuan na estrutura governamental requer uma articulação integrada entre as secretarias de esportes, assistência social e saúde. A gestão deve formalizar a atividade por meio de programas oficiais de promoção da saúde de modo a garantir a regularidade e a continuidade das aulas nos bairros. O encaminhamento técnico ideal envolve a integração com as equipes de saúde da família para que os médicos e enfermeiros possam recomendar a prática diretamente nas consultas de rotina como tratamento complementar para hipertensão, ansiedade e dores crônicas. Ao organizar as turmas por meio de chamamento público e descentralizar os locais de atendimento, o gestor público estabelece uma política de prevenção eficaz, reduzindo as filas nos postos de saúde e consolidando uma governança focada na qualidade de vida da população.


Airlon Jaques
Profissional de Educação Física, Gestor Público e Escritor
Instagram: @airlonjaques



segunda-feira, 22 de junho de 2026

Quanto vale um evento internacional?

 


A volta do mundo que passa por Itajaí

A The Ocean Race é uma das competições mais desafiadoras do planeta. Durante meses, veleiros cruzam oceanos, enfrentam tempestades e percorrem milhares de quilômetros em uma jornada que conecta continentes. Em 2027, a regata voltará a passar por Itajaí, consolidando uma relação construída ao longo de várias edições e transformando a cidade em uma das escalas mais importantes da prova fora da Europa.

Os números que justificam a escolha

Toda vez que a competição chega ao município, os defensores do evento apresentam argumentos difíceis de ignorar. A rede hoteleira registra alta ocupação, restaurantes ampliam o movimento, turistas circulam pela cidade e a imagem de Itajaí alcança mercados que dificilmente seriam atingidos por campanhas convencionais de promoção. O retorno econômico divulgado após as últimas edições ajuda a explicar por que a cidade manteve o interesse em continuar no circuito internacional da regata. Ao mesmo tempo, parte dos observadores da modalidade avalia que a competição perdeu parte do impacto global que possuía nos tempos da Volvo Ocean Race, período em que reunia maior atenção da mídia internacional, mais equipes e um reconhecimento de marca construído ao longo de décadas. Esse contexto não elimina os méritos do evento atual, embora faça parte da análise necessária para compreender o tamanho real de seu alcance nos dias de hoje.

A pergunta que acompanha qualquer investimento público

Grandes eventos esportivos costumam despertar entusiasmo, embora uma questão sempre permaneça sobre a mesa. Quanto a população recebe em troca dos recursos investidos? O debate ganha relevância porque toda decisão orçamentária envolve prioridades. Recursos direcionados para um projeto deixam de estar disponíveis para outros, o que torna legítima a cobrança por transparência, metas claras e resultados verificáveis.

O esporte que permanece depois da festa

A discussão fica ainda mais interessante quando observamos a realidade cotidiana. Ginásios precisam de manutenção, quadras aguardam reformas, projetos esportivos dependem de financiamento e equipamentos públicos exigem investimentos permanentes. O legado de um evento internacional passa a ter valor real quando contribui para fortalecer essa estrutura que permanece atendendo a população muito depois da partida dos barcos.

Transformar visibilidade em desenvolvimento

A melhor versão de um grande evento acontece quando a movimentação econômica se converte em benefícios duradouros. Capacitação profissional, fortalecimento do turismo, melhorias urbanas e investimentos permanentes em infraestrutura esportiva ampliam o alcance da competição e justificam sua presença no município. O impacto deixa de ser medido em dias de programação e passa a ser percebido ao longo dos anos.

A conta que precisa ser apresentada

Receber a The Ocean Race pode representar uma excelente oportunidade para Itajaí. O potencial de divulgação internacional é evidente e os resultados econômicos das edições anteriores merecem consideração. Ainda assim, o interesse público exige respostas objetivas. Qual será o investimento total? Quais contrapartidas foram asseguradas? Quais indicadores serão utilizados para medir os resultados? Quanto mais claras forem essas respostas, mais qualificado será o debate.

Muito além da regata

No fim das contas, a discussão ultrapassa os limites da vela. O verdadeiro tema é a forma como uma cidade escolhe investir seus recursos e definir suas prioridades. Eventos internacionais podem gerar orgulho, oportunidades e desenvolvimento econômico, mas também exigem planejamento, fiscalização e compromisso com resultados. A pergunta mais importante permanece simples: quanto vale um evento internacional para quem vive na cidade durante todos os outros dias do ano?


Airlon Jaques
Profissional de Educação Física, Gestor Público e Escritor
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domingo, 14 de junho de 2026

O princípio de Pareto

 


A eficiência dos poucos vitais

A escassez de recursos é uma constante na administração pública municipal, especialmente no setor esportivo. Diante de demandas ilimitadas e orçamentos restritos, a busca por eficiência operacional é uma obrigação legal e administrativa. Para otimizar os resultados sociais e institucionais, a aplicação de modelos consagrados de teoria econômica oferece um norte científico para a tomada de decisão. O mais proeminente desses modelos é o Princípio de Pareto.

A origem da assimetria e a definição do modelo

O conceito decorre dos estudos do economista italiano Vilfredo Pareto, que constatou, no final do século XIX, que cerca de 80% das terras e da riqueza da Itália estavam concentradas com 20% da população. Décadas depois, em 1940, o consultor Joseph Juran aplicou essa mesma lógica estatística aos processos de gestão. Ele percebeu que a dinâmica se repetia em quase todas as organizações, demonstrando que uma minoria de causas vitais gera a maioria dos efeitos, restando uma imensa maioria de causas triviais que produzem baixo impacto no resultado global.

A aplicação do modelo 80/20 no setor esportivo público

Transposto para a realidade das Secretarias Municipais de Esportes e das fundações públicas da área, o princípio revela que a dispersão inicial de esforços gera a ineficiência. Gestores que pulverizam o orçamento em dezenas de pequenas ações desconexas produzem baixo impacto social e alta frustração comunitária. Na prática administrativa, a assimetria se manifesta em dados concretos. Geralmente, 20% das modalidades esportivas ou dos programas de inclusão implantados no município respondem por 80% do atendimento efetivo da população infantojuvenil e da redução de indicadores de vulnerabilidade social. Da mesma forma, em termos de patrimônio público, cerca de 20% dos complexos esportivos municipais concentram 80% do fluxo de usuários e do desgaste material, o que demanda um monitoramento preventivo prioritário para evitar colapsos estruturais. No campo do fomento e do Terceiro Setor, 20% das entidades de prática desportiva devidamente regularizadas são responsáveis pela execução de 80% dos projetos sociais financiados via termos de colaboração ou leis de incentivo.

O ordenamento cronológico e a universalização do atendimento

A aplicação dessa teoria na esfera pública possui uma lógica diferente da iniciativa privada, pois o administrador municipal é vinculado ao princípio constitucional da impessoalidade e deve atender a toda a população. O modelo atua como uma ferramenta de cronologia e ordenamento estratégico de ações, dividindo a gestão em dois momentos claros. No primeiro momento, focar nos 20% de causas vitais garante a eficiência inicial, resolve os maiores gargalos, gera resultados rápidos para a comunidade e estabiliza a máquina pública. No segundo momento, com a estrutura consolidada e os grandes problemas mitigados, os recursos humanos e financeiros são liberados para gerenciar as demandas secundárias. Dessa forma, o gestor passa a sistematizar o atendimento dos 80% de problemas triviais, refinando as políticas públicas e caminhando com segurança jurídica em direção à universalização do atendimento.

A diretriz estratégica para o gestor municipal

A sugestão para a aplicação imediata deste conceito reside na governança institucional e no planejamento orçamentário. O gestor esportivo municipal deve instituir uma matriz de priorização baseada em dados estatísticos locais, mapeando os 20% de iniciativas que geram o maior retorno social. A recomendação técnica para materializar essa eficiência é a centralização dos esforços na consolidação de fundos municipais específicos e em editais de chamamento público cirúrgicos. A administração deve focar estritamente na desburocratização e no fortalecimento das poucas entidades e programas já existentes que detêm capilaridade comprovada nos bairros. Fortalecer a infraestrutura existente e garantir a regularidade fiscal das entidades parceiras que atendem à maioria da população é o caminho técnico para atingir os 80% de excelência rapidamente, criando a base necessária para amparar as demais demandas da cidade.


Airlon Jaques
Profissional de Educação Física, Gestor Público e Escritor
Instagram: @airlonjaques