quinta-feira, 25 de setembro de 2025

O futuro do fundo de esportes de Itajaí

 



Um fundo que abre portas
Itajaí já foi pioneira em criar o seu Fundo Municipal de Esporte, o FAMESPI, e agora precisa dar o próximo passo para utilizá-lo em todo o seu potencial. A cidade já tem uma Fundação Municipal consolidada, com orçamento ordinário e políticas públicas definidas em programas contínuos. Mas o fundo não nasceu para concorrer com isso, e sim para abrir novas portas. Ele existe para captar recursos extraordinários, ampliar a capacidade de investimento e colocar o dinheiro diretamente na ponta, na mão do atleta e das entidades, de forma mais ágil e eficiente.

A força da captação
Um dos maiores argumentos a favor do FAMESPI é a possibilidade de o município ampliar sua força de captação. Com CNPJ próprio, o fundo se torna uma segunda estrutura oficial para disputar emendas parlamentares, acessar fundos estaduais e federais, aproveitar leis de incentivo e firmar convênios de fundo a fundo. É como dar a Itajaí um braço extra, que multiplica a chance de atrair recursos sem depender apenas do orçamento ordinário da Fundação Municipal de Esporte e Lazer.

O poder de 0,5% da LOA
O impacto pode ser gigantesco se a classe política entender a importância dessa ferramenta e destinar 0,5% da receita anual da cidade para o FAMESPI. Na LOA de 2025, Itajaí projetou uma arrecadação de mais de R$ 3 bilhões. O orçamento da FMEL previsto é de aproximadamente R$ 20 milhões. Meio por cento a mais já garantiria sozinho em torno de R$ 15 milhões ao fundo. Como Itajaí tem se mantido superavitária todos os anos, esse valor não compromete o orçamento nem as demais áreas do governo. É dinheiro novo, extraordinário, que pode transformar a realidade de atletas, projetos e eventos esportivos. Basta decisão política.

Agilidade para o imprevisto
Outro aspecto que diferencia o FAMESPI é a agilidade. Hoje, os programas da FMEL já têm seus critérios, cronogramas e foco em políticas estruturadas. Mas o esporte também vive do inesperado. Um atleta pode conquistar vaga em uma competição internacional de última hora. Uma federação pode oferecer a chance de trazer um grande evento para Itajaí. Ou pode surgir a necessidade de fomentar algo que não estava no planejamento inicial. Nestes casos, mexer no orçamento ordinário significa burocracia e demora. O fundo resolve isso, pois já foi criado com regras próprias justamente para dar rapidez e segurança aos repasses, sem ferir a legislação.

Exemplos que mostram resultados
Exemplos pelo Brasil comprovam que o modelo funciona. Passo Fundo (RS) lançou edital importante com recursos do seu Fundo Municipal de Esporte. Em Minas Gerais, municípios como Muzambinho usam o ICMS Esportivo aliado ao fundo para garantir verba contínua e estável. Capelinha (MG) tem desde 2012 um fundo que recebe doações, convênios e aplicações financeiras para o esporte. Em Anápolis (GO) e Canoas (RS), fundos municipais recentes ampliaram investimentos e deram mais autonomia para entidades e atletas locais. São experiências que mostram que, em diferentes portes de cidades, o fundo é um motor de transformação.

Exemplos internacionais sólidos
Na Austrália, o estado de Victoria mantém o Local Sports Infrastructure Fund, que financia projetos de infraestrutura esportiva comunitária com participação direta de governos locais. No Canadá, o Ontario Amateur Sport Fund apoia organizações esportivas provinciais reconhecidas, garantindo suporte contínuo a atletas, técnicos e programas de base. Já em Londres, o Go! London Fund reúne governo local e fundações esportivas para financiar projetos de inclusão social através do esporte, priorizando crianças e jovens em vulnerabilidade. Esses exemplos provam que fundos públicos de esporte, quando bem estruturados, garantem previsibilidade, transparência e impacto social direto.

Hora de potencializar o fundo
Itajaí tem agora a chance de se colocar novamente na vanguarda. O FAMESPI precisa ser fortalecido, abastecido e reconhecido como peça estratégica para o esporte da cidade. Já provamos que podemos ser pioneiros, e agora precisamos inspirar outras cidades de Santa Catarina e até mesmo o governo federal. O fundo não é um acessório, é o caminho para que o esporte receba recursos extraordinários, de forma transparente, ágil e transformadora.


Airlon Jaques
Educador Físico, Gestor Público e Escritor.
Instagram: @airlonjaques

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