Promessas nas redes, silêncio nas obras
O prefeito Robson Coelho tem sido generoso em suas redes sociais. Vídeos bem produzidos anunciam uma vila olímpica atrás da Câmara de Vereadores, um ginásio referência no lugar do Ivo Silveira demolido e dois ginásios nos bairros com recursos de projeto estadual. O problema é que esses anúncios se repetem há um ano e meio sem que uma única licitação de obra tenha sido concluída. Os dois ginásios prometidos via projeto estadual, vale dizer, são estruturas mais próximas de quadras cobertas do que de ginásios com infraestrutura completa. Tudo muito bonito na tela do celular. No chão de Itajaí, nada mudou.
Uma herança ruim que não serve de desculpa
Itajaí nunca tratou seus ginásios com seriedade. Gestão após gestão, investimentos em construção e reformas foram deixados de lado, e o resultado acumulado é uma infraestrutura esportiva cronicamente precária. Quem assume o município herda esse histórico, mas herdar um problema não autoriza ignorá-lo. Quem decide governar aceita o ônus junto com o bônus. A nova gestão sabia o que encontraria e tinha tempo suficiente para agir. Um ano e meio depois, a inércia fala mais alto do que qualquer herança recebida.
A escolha que atrasa tudo
A gestão adotou a prática de licitar primeiro o projeto executivo e, somente após sua conclusão, abrir nova licitação para a obra em si. Essa sequência em etapas separadas consome tempo que a cidade não tem. A Lei 14.133/2021, nova lei de licitações, prevê o regime de contratação integrada, que permite licitar projeto e obra em um único processo, com a empresa contratada responsável por desenvolver o projeto básico, o executivo e executar a construção. Municípios que mantêm engenheiros próprios no quadro podem ainda elaborar o projeto internamente e licitar somente a obra. Bons tempos em que as prefeituras tinham esse corpo técnico. A opção pelo fatiamento do processo é uma decisão administrativa com consequências reais para quem depende do esporte público em Itajaí.
Três ginásios, nenhum disponível
O ginásio Julcídio Fernandes, no bairro Cordeiros, está interditado. O Ivo Silveira, no bairro Fazenda, foi demolido. O Gabriel Colares, no Centro, o principal equipamento esportivo da cidade, será tomado pela Justiça Eleitoral para instalação das urnas e só retornará ao município após o segundo turno, em novembro. Três estruturas fora de operação ao mesmo tempo, sem nenhuma alternativa organizada pelo poder público para absorver o impacto.
O que precisa acontecer agora
A resposta imediata está em dois caminhos que podem ser percorridos em paralelo. O primeiro é a contratação de estruturas esportivas particulares para uso temporário. O segundo é o ajuste com as secretarias de educação municipal e estadual para liberar as quadras dos colégios públicos como suporte. Esse segundo caminho exige atenção, pois quadras de colégios públicos demandam contrapartida de reformas para liberação e já funcionam com agendas próprias de uso. Quadras cobertas de colégios particulares raramente se abrem para o poder público, já que receber a prefeitura em suas instalações conflita com o próprio modelo de negócio dessas instituições. O tempo útil para essas negociações está se esgotando. Estruturas privadas fecham suas programações com antecedência e chegará o momento em que não haverá agenda disponível para absorver a demanda do esporte municipal.
A solução que a gestão precisa encarar
A contratação emergencial de empresas especializadas em estruturas pré-moldadas é o caminho mais rápido e viável. Essas empresas entregam galpões em tempo recorde, prontos para serem equipados e adaptados ao uso esportivo. É uma solução legal, eficiente e amplamente utilizada por gestões que compreendem que o esporte público não pode entrar em colapso enquanto a burocracia segue seu ritmo. Se a FMEL ainda não moveu nenhuma peça nessa direção (e há razões concretas para acreditar que não moveu), escolinhas, treinamentos e competições de Itajaí caminham para um colapso que já estava sendo anunciado há tempo suficiente para ser evitado.
Airlon Jaques
Profissional de Educação Física, Gestor Público e Escritor
Instagram @airlonjaques


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