A confiança que exige preparo
A nomeação para cargo de confiança integra a lógica da governabilidade e permite que o gestor público forme uma equipe alinhada ao projeto eleito pela população. Essa escolha precisa observar capacidade real de execução, principalmente em funções com responsabilidade administrativa direta. Em Cargos de Confiança, sustento que “a confiança não pode ser critério único, nem pode se sobrepor à capacidade técnica”. A frase resume o ponto central da discussão, pois a lealdade política perde valor quando coloca uma pessoa despreparada diante de uma função que exige domínio institucional.
A exposição do indicado
A permanência de um quadro incompatível com a função costuma ser tratada como proteção política. Esse raciocínio produz efeito contrário. O indicado assume decisões formais, responde por atos administrativos e passa a ocupar um espaço fiscalizado por órgãos de controle. Em Cargos de Confiança, afirmo que “cada nomeação carrega implicações que vão muito além do gabinete onde a decisão é tomada”. A escolha alcança a administração, a população e a trajetória pessoal de quem aceita a função.
A burocracia como proteção
A máquina pública possui ritos que preservam o gestor, o erário e a legalidade dos atos. Essa estrutura exige conhecimento técnico e prudência administrativa. O livro registra que “a burocracia existe para proteger o gestor e o erário, ainda que pareça um obstáculo”. O comissionado despreparado tende a se perder nesse ambiente, assumindo riscos que poderiam ser evitados com formação adequada e aderência real ao cargo ocupado.
A realocação responsável
A melhor forma de preservar um indicado pode ser sua retirada de uma função incompatível. A realocação permite ajustar a contribuição da pessoa ao seu perfil, reduzindo exposição e evitando danos futuros. A proteção política responsável reconhece limites antes que eles se transformem em responsabilização pessoal, desgaste público ou prejuízo administrativo. A insistência em manter alguém fora de sua capacidade real amplia o custo da escolha inicial.
A Secretaria de Esportes de Itajaí
Na Secretaria de Esportes de Itajaí, a exigência de competência possui efeito concreto sobre a vida da comunidade. A gestão da área interfere na segurança dos espaços esportivos, na continuidade dos projetos e na confiança das entidades que dependem do poder público. Uma condução inadequada pode comprometer atividades e expor usuários a riscos evitáveis. O esporte municipal exige responsabilidade permanente com quem utiliza os serviços.
A responsabilidade da permanência
Quando a inadequação se torna evidente, a responsabilidade alcança também quem mantém a nomeação. A escolha inicial pode decorrer de confiança política, mas a permanência exige compatibilidade com a função. Em áreas sensíveis, a omissão diante de um quadro frágil transforma uma indicação ruim em problema institucional. A gestão pública amadurece quando corrige suas escolhas antes que a realidade cobre essa correção por meio de crise.
A decisão necessária
O cargo de confiança deve servir ao interesse público e fortalecer a capacidade de entrega da administração. Quando a pessoa indicada não corresponde à função, a correção da escolha representa ato de prudência. Na política esportiva, essa prudência ganha peso maior pela relação direta entre gestão, segurança e atendimento à população. Proteger alguém despreparado dentro de uma posição estratégica pode significar expô-lo ao pior resultado possível. A decisão responsável é afastar o indicado do centro do risco enquanto ainda existe tempo para preservar sua trajetória.
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