Autismo não é deficiência intelectual
O Transtorno do Espectro Autista é um transtorno do neurodesenvolvimento e não uma deficiência intelectual, definição reconhecida clinicamente e reafirmada juridicamente no Brasil pela Lei nº 12.764 de 2012 e pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência Lei nº 13.146 de 2015, o que impõe ao poder público a obrigação de garantir acesso ao esporte por meio de políticas adequadas à sua condição específica.
O esporte como estrutura de vida
Para pessoas autistas, a prática esportiva organizada atua como organizador do corpo, do tempo e das relações, promovendo melhora mensurável na coordenação motora, na regulação emocional, na comunicação funcional e na autonomia, desde que o ambiente seja previsível, metodológico e conduzido por profissionais preparados.
Um exemplo que funciona no Brasil e fora dele
No Brasil, o programa federal TEAtivo, instituído pelo Ministério do Esporte, mantém núcleos de prática esportiva para pessoas com Transtorno do Espectro Autista, com atividades organizadas, participação familiar e acompanhamento profissional. No exterior, o Special Olympics Unified Sports, nos Estados Unidos, inclui atletas com TEA em modalidades estruturadas, com critérios próprios de participação e continuidade esportiva.
Onde o sistema falha
O modelo atual empurra o atleta autista para um limbo administrativo, pois ele não pertence ao Paradesporto por não apresentar deficiência intelectual, enquadramento que muitos pais rejeitam por considerarem depreciativo para seus filhos, e ao mesmo tempo não encontra justiça ao disputar bolsas esportivas com atletas típicos de alto rendimento, criando uma exclusão silenciosa dentro de um sistema que afirma ser inclusivo.
Itajaí e a correção necessária
Criar uma categoria específica da Bolsa Esportiva Municipal de Itajaí para atletas com Transtorno do Espectro Autista é um ajuste técnico,m, pois reconhece uma população que existe, pratica esporte e hoje não encontra lugar justo dentro do desenho atual da política pública.
O que realmente está em jogo
Para muitas famílias, o esporte organiza a vida do filho autista dia após dia. O treino cria rotina, o corpo aprende constância, o vínculo se estabelece e o futuro passa a ter forma concreta. Quando o município reconhece esse percurso por meio de uma categoria específica, ele garante continuidade a um processo que já produz desenvolvimento, pertencimento e dignidade real.
Airlon Jaques
Educador Físico, Gestor Público e Escritor.
Instagram: @airlonjaques
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