domingo, 16 de novembro de 2025

Anabolizantes, TRT e o risco.

 


Quando o desejo ultrapassa o limite
Em academias, grupos de WhatsApp e redes sociais, é cada vez mais comum ver pessoas que nem competem recorrerem a anabolizantes, hormônios ou terapias hormonais para acelerar ganhos musculares ou melhorar a aparência. Muitos fazem isso sem acompanhamento médico e acabam comprando fórmulas clandestinas. O risco é alto, tanto para quem busca rendimento esportivo quanto para quem treina por estética ou saúde.

Entre uso terapêutico e risco no esporte
Para atletas que participam de competições oficiais, a regra é clara: testosterona e esteroides anabolizantes só podem ser usados com autorização médica específica, a chamada TUE (Autorização de Uso Terapêutico). Mesmo a TRT para homens acima dos 40 anos, se feita sem esse documento, é considerada doping. Já para o praticante comum, o perigo está nos efeitos colaterais graves e na falta de controle de origem das substâncias.

Casos que acenderam o alerta
O maratonista Daniel do Nascimento foi suspenso por cinco anos após testar positivo para anabolizantes. Thiago Braz, campeão olímpico no salto com vara, recebeu 16 meses de suspensão por ostarina, substância muitas vezes presente em suplementos contaminados. No mundo das academias, a polícia tem desmantelado esquemas de venda ilegal de hormônios e “fórmulas” manipuladas sem registro, mostrando que o problema é mais amplo do que o esporte profissional.

O problema da automedicação
Quem não tem acesso fácil a endocrinologistas acaba recorrendo à internet e a fórmulas vendidas de forma irregular. Isso aumenta o risco de reações adversas e até de consumir substâncias diferentes das que constam no rótulo. A maioria dos casos de complicações sérias vem do uso sem prescrição ou sem exames, o que reforça a necessidade de orientação responsável.

TRT para os mais de 40: direito ou risco?
A terapia de reposição de testosterona é indicada apenas para quem tem diagnóstico clínico de hipogonadismo comprovado. Fora disso, vira uso estético, e o corpo paga o preço. Mesmo quem busca apenas vitalidade e disposição deve passar por avaliação médica, com exames regulares e acompanhamento. No caso de atletas profissionais, qualquer uso sem TUE pode resultar em punição e manchar a carreira.

Como se proteger, competindo ou não
Antes de pensar em usar qualquer substância, o ideal é fazer exames hormonais, evitar produtos sem procedência e desconfiar de promessas de resultado rápido. Uma boa alimentação, sono de qualidade e treino periodizado continuam sendo as ferramentas mais eficazes e seguras. O suplemento certo, usado de forma consciente e dentro da necessidade individual, vale mais do que qualquer protocolo copiado de rede social.

O caminho equilibrado
O verdadeiro progresso vem de constância, não de atalhos. Quem compete precisa respeitar as regras para não perder anos de trabalho por uma punição. Quem treina por saúde precisa proteger o próprio corpo, não agredi-lo em nome da pressa. Cuidar da saúde, estudar o que se consome e desconfiar de fórmulas milagrosas é o que realmente diferencia quem busca resultado de quem procura apenas aparência.


Airlon Jaques
Educador Físico, Gestor Público e Escritor.
Instagram: @airlonjaques


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