O mercado que não para de crescer
Os suplementos alimentares ganharam espaço no cotidiano de atletas profissionais e amadores. Lojas especializadas, academias e até farmácias oferecem uma infinidade de opções, prometendo ganhos rápidos em desempenho e recuperação. Mas o consumo acelerado nem sempre vem acompanhado de orientação adequada, e esse é o ponto onde o risco começa.
Quando a promessa vira problema
Estudos da Anvisa e de universidades brasileiras já identificaram suplementos adulterados ou contaminados com substâncias proibidas. O atleta que consome sem saber pode ser punido em exames antidoping e até ter a carreira prejudicada. Além disso, há riscos sérios à saúde, como sobrecarga renal, desequilíbrio hormonal e, no caso dos termogênicos e estimulantes, problemas cardíacos graves quando usados de forma indiscriminada.
Casos que chamam a atenção
No cenário internacional, a patinadora russa Kamila Valieva ficou mundialmente conhecida após um caso de doping em 2022, que trouxe à tona a discussão sobre contaminação e responsabilidade do atleta. No Brasil, investigações recentes da Anvisa encontraram lotes de suplementos com substâncias não declaradas nos rótulos. Esses exemplos mostram que o problema não está restrito a atletas de elite, mas pode atingir qualquer praticante.
A fragilidade da regulamentação
Embora o Brasil tenha avançado, a fiscalização ainda enfrenta dificuldades. A Anvisa regula a produção e exige registro, mas muitos suplementos chegam ao mercado por importação irregular ou pela internet, fora do controle sanitário. Isso cria um ambiente onde o consumidor corre risco e o professor ou treinador precisa redobrar a atenção ao orientar seus alunos.
Opções seguras e acessíveis
Nem todo atleta tem condições de consultar um nutricionista ou médico regularmente. Isso não significa que a escolha deva ser às cegas. Uma alimentação balanceada continua sendo a base mais segura e eficaz, reduzindo até mesmo a necessidade de suplementação. O uso consciente, optando por marcas que tenham certificação reconhecida, já é um passo importante. Quando possível, procurar orientação de profissionais de saúde em atendimentos públicos, programas de universidades ou iniciativas de esporte e saúde da própria cidade pode ser uma alternativa acessível.
Como se proteger na prática
A primeira regra é não confiar em promessas milagrosas. Ler os rótulos com atenção, checar se o produto está registrado na Anvisa e evitar comprar pela internet sem procedência é o mínimo. O atleta precisa entender que o suplemento nunca deve substituir uma base sólida de treino e alimentação adequada, mas sim complementar de forma responsável quando realmente necessário.
O caminho para avançar
Mais do que responsabilizar apenas o consumidor, é hora de o poder público criar redes de apoio e informação. Uma medida prática seria que cada secretaria municipal de esportes, em parceria com as de saúde, disponibilizasse cartilhas claras e cursos rápidos sobre o uso seguro de suplementos. Assim, qualquer atleta, mesmo sem acesso a nutricionistas particulares, teria condições de fazer escolhas mais seguras. Informação acessível e descentralizada é a melhor arma contra os riscos que rondam o mercado da suplementação.
Airlon Jaques
Educador Físico, Gestor Público e Escritor.
Instagram: @airlonjaques

Nenhum comentário:
Postar um comentário