quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Itajaí e o paradesporto que inspira o Brasil

 


O movimento nacional que ganha força

O Brasil vive um novo momento para o esporte adaptado. Programas como o Paradesporto Brasil em Rede e o relançamento do Segundo Tempo, agora com módulos inclusivos, abriram portas em diferentes estados. Universidades federais passaram a se conectar a núcleos regionais, oferecendo práticas adaptadas e capacitação gratuita, com prioridade para mulheres e meninas. Essa política pública, ainda recente, representa um salto importante no reconhecimento das pessoas com deficiência como protagonistas do esporte nacional.

O que ainda não chegou

Apesar do avanço, esses programas federais ainda não desembarcaram em Itajaí. Nenhum núcleo do Paradesporto Brasil em Rede está ativo na cidade e o Segundo Tempo inclusivo também não contemplou Santa Catarina. Para muitos municípios, isso significa esperar que a estrutura chegue em algum momento. Mas em Itajaí a realidade é diferente. A cidade não ficou parada e construiu, por iniciativa própria, um caminho sólido para o paradesporto antes mesmo de contar com políticas nacionais.

A vanguarda de Itajaí

Itajaí se tornou referência estadual e nacional no paradesporto, resultado de uma construção que vem sendo feita há muitos anos. A cidade não só criou uma diretoria municipal dedicada à inclusão como também oferece Bolsa Atleta que contempla técnicos e paratletas. Além disso, já sediou eventos de grande impacto como o Parajesc, que reuniu centenas de estudantes com deficiência, e o Parajasc, com mais de mil atletas de todo o estado. Também recebeu o Festival Paralímpico Loterias Caixa e a ParaCopa Sesc, que lotaram espaços esportivos e mostraram que inclusão pode ser prática diária e não apenas discurso.

Um exemplo que emociona

Mais do que números, o que Itajaí mostra é que inclusão pode ser feita com planejamento e coragem. Enquanto outras cidades ainda esperam os programas federais chegarem, aqui já existe uma rede de apoio que conecta atletas, técnicos e famílias. O resultado é visível nas quadras, piscinas e arenas, onde crianças e adultos com deficiência encontram no esporte uma chance de pertencimento, superação e futuro. Esse protagonismo coloca Itajaí em posição de vanguarda e serve de inspiração para outros municípios do Brasil.

O próximo passo necessário

Itajaí já se destaca como referência no paradesporto, mas ainda há espaço para ir além. O município construiu programas e sediou eventos que colocaram a cidade à frente de muitos outros, porém a chegada das iniciativas federais seria um reforço fundamental. Cabe agora à classe política local buscar em Brasília a inclusão de Itajaí nesses projetos nacionais, sem disputas partidárias, mas com foco no que realmente importa: ampliar as oportunidades para os paratletas e garantir que a cidade siga liderando esse movimento de inclusão pelo esporte.


Airlon Jaques
Educador Físico, Gestor Público e Escritor.
Instagram: @airlonjaques

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