segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Assédio sexual em ambientes esportivos

 


O problema que insiste em aparecer

O assédio em ambientes esportivos não são eventos isolados, são uma falha sistêmica que corrói projetos sociais, destrói vidas e mina a confiança na formação esportiva, por isso cabe ao gestor, ao professor e ao dirigente encarar a prevenção como prioridade absoluta.

Um caso que alerta e que precisamos ver de frente

Em São José, na Grande Florianópolis, um professor de educação física e instrutor de judô foi preso em flagrante após imagens de câmeras de segurança mostrarem abuso contra uma menina de 10 anos, o episódio reacendeu relatos antigos contra o mesmo profissional e expôs como pessoas próximas ao esporte podem repetir comportamentos predatórios sem que o sistema as detecte cedo.

Por que isso volta a ocorrer

A combinação de fatores é sempre parecida, ausência de seleção rígida e checagem de histórico, formação de cultura de silêncio nas instituições, falta de mecanismos de denúncia protegidos e fiscalização frouxa, além de contratos ou vínculos precários que incentivam a rotatividade sem responsabilização, tudo isso cria ambiente propício para que predadores encontrem oportunidades e escapem até que um flagrante ou denúncia pública os exponha.

Medidas imediatas que toda escolinha e federação devem implementar

Exigir verificação de antecedentes criminais para todo contratado e voluntário, ter cadastro nacional atualizado de reprovações e desligamentos por condutas de risco, instituir política clara de nunca deixar um adulto sozinho com criança sem visibilidade ou testemunha, obrigar o uso de câmeras em espaços comuns seguindo normas de privacidade, treinar e certificar todos os profissionais em salvaguarda e proteção infantil com renovação periódica, e criar canais de denúncia anônima com proteção ao denunciante e fluxo rápido para providências administrativas e legais.

Orientação prática para professores e gestores

Professores, mantenham rotina transparente de comunicação com famílias, evitem contatos isolados fora do ambiente institucional, documentem qualquer ocorrência por escrito com horários e testemunhas, participem de capacitações sobre limites profissionais e assédio, e exijam da direção políticas escritas de proteção, porque o comportamento preventivo cotidiano vale mais que qualquer defesa ex-post.

Como a comunidade e as vítimas devem ser apoiadas

Toda instituição deve ter plano de resposta imediata, incluindo atendimento psicológico às vítimas e à família, afastamento cautelar do acusado com manutenção de direitos trabalhistas mínimos enquanto houver investigação, assistência jurídica e garantia de que o caso será encaminhado às autoridades competentes sem dissimulação, pois a confiança se reconstrói com acolhimento rápido e transparência.

O que as federações e o poder público têm de garantir

Federações e prefeituras precisam adotar padrões mínimos nacionais, auditoria periódica de salvaguarda, exigência de certificação de profissionais e cláusulas em editais que suspendam repasses a entidades que não comprovem práticas seguras, porque a proteção não pode ficar ao arbítrio de cada gestor local.

Referências internacionais sólidas que servem de base

Há diretrizes consagradas que funcionam como roteiro, entre elas as salvaguardas internacionais da UNICEF e os códigos e centros de SafeSport que mostram que combinar prevenção, denúncia acessível e investigação independente reduz dramaticamente os casos e assegura justiça para vítimas.

Como começar já, sem esperar leis ou orçamentos mirabolantes

Prefeituras e federações podem, de imediato, adotar o cadastro municipal vinculado a certidões criminais, exigir câmeras e políticas de proteção em qualquer repasse, incluir cláusula de suspensão automática em editais diante de denúncia crível, e criar redes locais de apoio psicológico, essas medidas simples reduzem risco de ocorrência e mostram compromisso real.

Um chamado final para quem forma e dirige

Não se trata de desconfiar a todos, mas de proteger os mais vulneráveis, e isso exige coragem institucional. Se a nossa prioridade é formar cidadãos e não apenas atletas, então prevenção e resposta a assédios e violências têm de ser parte indissociável da gestão esportiva. Quem ama o esporte defende a sua integridade e protege as crianças com regras claras, vigilância ativa e responsabilidade coletiva.


Airlon Jaques
Educador Físico, Gestor Público e Escritor.
Instagram: @airlonjaques

Nenhum comentário:

Postar um comentário