domingo, 30 de agosto de 2026

Lealdade política no esporte

 


A razão de existir dos cargos de confiança

Os cargos de confiança foram criados para permitir que governantes eleitos formem equipes alinhadas ao projeto político escolhido pela população nas urnas. Como defendido no livro Cargos de Confiança, a confiança constitui o elemento central dessa relação, pois o governante precisa contar com pessoas comprometidas com a execução das diretrizes que pretende implementar ao longo do mandato. A lealdade política e administrativa integra a própria natureza dessas funções.

O alinhamento esperado dentro do governo

Essa característica torna natural que ocupantes de cargos comissionados desenvolvam proximidade política com quem realizou sua indicação e com o prefeito responsável pela condução do governo. Na Fundação Municipal de Esporte e Lazer de Itajaí, essa lógica não é diferente. O comissionado é chamado para ajudar a executar uma determinada visão de gestão esportiva e sua permanência no cargo depende justamente da confiança existente nessa relação.

O esporte e a construção das relações políticas

A política esportiva aproxima diariamente o governo e a comunidade esportiva. Ao longo do mandato, essa convivência produz avaliações sobre o trabalho realizado pela administração e influencia a forma como as pessoas enxergam seus gestores. Trata-se de uma consequência natural da atividade pública em uma área que mantém contato permanente com a população.

O apoio que nasce da experiência prática

Quem participa do ambiente esportivo acompanha de perto a qualidade das políticas públicas oferecidas pelo município. A percepção sobre o desempenho da gestão é construída a partir da experiência vivida por cada cidadão dentro dessa estrutura. Essa avaliação influencia naturalmente o posicionamento político de parte da comunidade esportiva durante o período eleitoral.

A liberdade de escolha permanece preservada

Essa dinâmica não altera a autonomia política dos cidadãos. Atletas, professores, técnicos e demais participantes das políticas públicas esportivas continuam livres para definir seus posicionamentos eleitorais de acordo com suas convicções pessoais. O mesmo princípio alcança os ocupantes de cargos comissionados, que mantêm seus direitos políticos assegurados pela legislação brasileira.

Os limites estabelecidos pela lei

A legislação eleitoral estabelece regras destinadas a proteger a igualdade da disputa e a liberdade do eleitor. O apoio político é legítimo e a participação eleitoral também integra os direitos garantidos aos cidadãos. A atenção jurídica concentra-se na utilização da estrutura pública para obtenção de vantagens eleitorais, situação que pode gerar responsabilização para os envolvidos.

A confiança que sustenta a democracia

A relação entre governo e comunidade esportiva alcança maior estabilidade quando é construída sobre resultados concretos e confiança institucional. O apoio político adquire legitimidade quando decorre da avaliação livre realizada pelos cidadãos sobre a atuação da gestão pública. Nesse ambiente, os cargos de confiança cumprem sua finalidade administrativa, a comunidade preserva sua liberdade de escolha e o processo democrático mantém sua integridade.


Airlon Jaques
Profissional de Educação Física, Gestor Público e Escritor
Autor do livro Cargos de Confiança
Instagram: @airlonjaques



domingo, 23 de agosto de 2026

O prefeito das inaugurações futuras

 


A inflação das promessas

Existe um fenômeno conhecido na gestão pública, a inflação das promessas. Ela ocorre quando o volume de anúncios cresce mais rápido que a capacidade administrativa de execução. Cada novo compromisso amplia a expectativa social, aumenta a cobrança pública e eleva o nível de responsabilidade política do governante. Em determinado momento, a população passa a dedicar mais atenção ao andamento dos projetos do que aos anúncios que lhes deram origem.

O esporte como vitrine de governo

Poucas áreas oferecem tanto retorno político quanto o esporte. A inauguração de uma arena gera visibilidade, a entrega de um ginásio fortalece a imagem da gestão e um programa esportivo amplia a presença do governo junto à comunidade. Essa característica faz do esporte um dos instrumentos mais utilizados para comunicar perspectivas de futuro e demonstrar prioridades administrativas.

O caso da gestão Robison Coelho

Após um ano e sete meses de mandato, a gestão do prefeito Robison Coelho já acumula um conjunto expressivo de anúncios relacionados ao esporte municipal. A comunidade esportiva acompanhou a apresentação dessas propostas e aguardou sua evolução ao longo do governo. O que se observa até aqui é um volume de entregas significativamente menor do que a expectativa criada pelas promessas apresentadas à população, circunstância que naturalmente amplia o debate sobre a capacidade de execução da atual administração.

A armadilha criada pelo próprio governo

Todo anúncio público gera uma obrigação política futura. Cada compromisso assumido amplia a necessidade de demonstrar avanços concretos e prestar contas sobre sua evolução. Quando os compromissos se acumulam em ritmo superior aos resultados percebidos pela população, o próprio governo passa a conviver com uma cobrança crescente produzida pelas expectativas que ajudou a construir.

O desgaste da credibilidade

A credibilidade governamental é formada pela relação entre aquilo que a administração anuncia e aquilo que a população consegue identificar na realidade cotidiana. Projetos esportivos permanecem na memória coletiva da cidade porque envolvem demandas históricas da comunidade. Quanto maior o intervalo entre a apresentação de uma proposta e sua efetiva materialização, maior tende a ser o desgaste da confiança depositada na gestão.

A responsabilidade do prefeito

A política esportiva municipal reflete as prioridades estabelecidas pelo chefe do Poder Executivo. Por essa razão, a avaliação sobre o desempenho da área alcança diretamente o prefeito Robison Coelho. O estágio atual dos projetos anunciados para o esporte integra o conjunto de indicadores pelos quais sua administração será analisada ao longo do mandato.

O julgamento do mandato

A memória administrativa de uma cidade é construída pelas transformações incorporadas ao seu cotidiano. No esporte, essa percepção surge a partir das estruturas disponíveis para utilização da população e das políticas públicas que alcançam a comunidade. A gestão Robison Coelho será lembrada pela capacidade de converter as expectativas que gerou em resultados efetivamente presentes na vida esportiva de Itajaí.


Airlon Jaques
Profissional de Educação Física, Gestor Público e Escritor.
Instagram: @airlonjaques



domingo, 16 de agosto de 2026

O esporte também vota


Uma pauta esquecida

As eleições se aproximam e, mais uma vez, o esporte ocupa um espaço reduzido no debate político. A situação chama atenção porque se trata de uma das áreas com maior presença no cotidiano da população. Enquanto diversos temas recebem atenção permanente dos candidatos, o esporte costuma aparecer apenas de forma pontual nos programas de governo e nos materiais de campanha.

Promessas que se repetem

A leitura das propostas apresentadas em diferentes eleições revela um padrão curioso. Grande parte dos candidatos continua oferecendo as mesmas soluções defendidas há muitos anos. O debate raramente avança para modelos modernos de gestão, novas formas de financiamento ou mecanismos capazes de ampliar a eficiência das políticas esportivas. O resultado é um conjunto de propostas previsíveis que pouco contribui para a evolução do setor.

A falta de profundidade

O esporte enfrenta desafios administrativos relevantes. A manutenção de equipamentos, a ampliação do atendimento, o fortalecimento das entidades esportivas e a democratização do acesso exigem planejamento técnico. Mesmo assim, poucas candidaturas apresentam projetos detalhados ou estratégias capazes de demonstrar como suas propostas serão executadas.

A ausência de inovação

A gestão pública produziu importantes avanços conceituais nas últimas décadas. Governança em rede, descentralização administrativa e modelos de financiamento mais eficientes já fazem parte da literatura especializada. Apesar disso, essas discussões raramente chegam ao debate eleitoral. A consequência é uma agenda esportiva frequentemente desconectada das ferramentas mais modernas de administração pública.

A força que o esporte não utiliza

A comunidade esportiva representa uma parcela significativa da sociedade. Ela reúne milhares de pessoas diretamente envolvidas com a prática esportiva e possui capacidade para influenciar o debate público. Essa força, entretanto, aparece de forma dispersa e acaba perdendo parte do seu potencial de mobilização política.

A importância da representação legítima

Toda política pública reflete os interesses representados nos espaços de decisão. Quando o esporte participa pouco do processo político, suas demandas também tendem a ocupar posição secundária na agenda governamental. A presença de representantes que conheçam a realidade do setor contribui para elevar a qualidade do debate e aproximar as decisões públicas das necessidades reais da comunidade esportiva.

Uma oportunidade para mudar o cenário

O período eleitoral oferece uma oportunidade para que atletas, dirigentes, professores, gestores e praticantes discutam o futuro do esporte de forma mais organizada. A cobrança por propostas concretas, metas verificáveis e compromissos exequíveis pode contribuir para elevar o nível da discussão e fortalecer a posição do esporte dentro das prioridades municipais.

O voto como ferramenta de transformação

O futuro do esporte também depende da capacidade da própria comunidade esportiva de participar do processo político com maior protagonismo. Quanto mais qualificado for esse envolvimento, maiores serão as chances de construir políticas públicas capazes de produzir resultados duradouros para a população.


Airlon Jaques
Profissional de Educação Física, Gestor Público e Escritor
Instagram: @airlonjaques



domingo, 9 de agosto de 2026

O risco de proteger o indicado errado


A confiança que exige preparo

A nomeação para cargo de confiança integra a lógica da governabilidade e permite que o gestor público forme uma equipe alinhada ao projeto eleito pela população. Essa escolha precisa observar capacidade real de execução, principalmente em funções com responsabilidade administrativa direta. Em Cargos de Confiança, sustento que “a confiança não pode ser critério único, nem pode se sobrepor à capacidade técnica”. A frase resume o ponto central da discussão, pois a lealdade política perde valor quando coloca uma pessoa despreparada diante de uma função que exige domínio institucional.

A exposição do indicado

A permanência de um quadro incompatível com a função costuma ser tratada como proteção política. Esse raciocínio produz efeito contrário. O indicado assume decisões formais, responde por atos administrativos e passa a ocupar um espaço fiscalizado por órgãos de controle. Em Cargos de Confiança, afirmo que “cada nomeação carrega implicações que vão muito além do gabinete onde a decisão é tomada”. A escolha alcança a administração, a população e a trajetória pessoal de quem aceita a função.

A burocracia como proteção

A máquina pública possui ritos que preservam o gestor, o erário e a legalidade dos atos. Essa estrutura exige conhecimento técnico e prudência administrativa. O livro registra que “a burocracia existe para proteger o gestor e o erário, ainda que pareça um obstáculo”. O comissionado despreparado tende a se perder nesse ambiente, assumindo riscos que poderiam ser evitados com formação adequada e aderência real ao cargo ocupado.

A realocação responsável

A melhor forma de preservar um indicado pode ser sua retirada de uma função incompatível. A realocação permite ajustar a contribuição da pessoa ao seu perfil, reduzindo exposição e evitando danos futuros. A proteção política responsável reconhece limites antes que eles se transformem em responsabilização pessoal, desgaste público ou prejuízo administrativo. A insistência em manter alguém fora de sua capacidade real amplia o custo da escolha inicial.

A Secretaria de Esportes de Itajaí

Na Secretaria de Esportes de Itajaí, a exigência de competência possui efeito concreto sobre a vida da comunidade. A gestão da área interfere na segurança dos espaços esportivos, na continuidade dos projetos e na confiança das entidades que dependem do poder público. Uma condução inadequada pode comprometer atividades e expor usuários a riscos evitáveis. O esporte municipal exige responsabilidade permanente com quem utiliza os serviços.

A responsabilidade da permanência

Quando a inadequação se torna evidente, a responsabilidade alcança também quem mantém a nomeação. A escolha inicial pode decorrer de confiança política, mas a permanência exige compatibilidade com a função. Em áreas sensíveis, a omissão diante de um quadro frágil transforma uma indicação ruim em problema institucional. A gestão pública amadurece quando corrige suas escolhas antes que a realidade cobre essa correção por meio de crise.

A decisão necessária

O cargo de confiança deve servir ao interesse público e fortalecer a capacidade de entrega da administração. Quando a pessoa indicada não corresponde à função, a correção da escolha representa ato de prudência. Na política esportiva, essa prudência ganha peso maior pela relação direta entre gestão, segurança e atendimento à população. Proteger alguém despreparado dentro de uma posição estratégica pode significar expô-lo ao pior resultado possível. A decisão responsável é afastar o indicado do centro do risco enquanto ainda existe tempo para preservar sua trajetória.


O livro Cargos de Confiança - o jogo invisível da política, pode ser adquirido em www.airlonjaques.com.br na seção "compre seu livro".


Airlon Jaques
Profissional de Educação Física, Gestor Público e Escritor
Instagram: @airlonjaques



domingo, 2 de agosto de 2026

Resenha Final



Uma nova vitrine para o esporte de Itajaí

Aos domingos, das 20h às 21h30, estreiou na TVBE Itajaí o programa Resenha Final, apresentado por Airlon Jaques, com a participação da jornalista Joice Ristow. A proposta nasce com uma função importante para o cenário esportivo local: abrir espaço permanente para atletas, técnicos, dirigentes, professores, projetos, entidades e personagens que movimentam o esporte da cidade. Em uma realidade onde muitas iniciativas possuem impacto comunitário. A criação de uma vitrine semanal na televisão representa um avanço na valorização de quem trabalha diariamente pela prática esportiva.

Instrumento de desenvolvimento esportivo

O esporte municipal também depende de visibilidade. Um atleta que aparece, um projeto que se apresenta, uma entidade que explica sua atuação e um técnico que mostra seus resultados passam a ocupar outro lugar no debate público. A comunicação fortalece reputações, aproxima patrocinadores, amplia redes de apoio e ajuda a transformar esforço cotidiano em reconhecimento social. O Resenha Final entra nesse espaço como ferramenta de promoção institucional do esporte de Itajaí.

O formato ao vivo e a participação da comunidade

A transmissão ao vivo fortalece a relação entre programa e público. O telespectador poderá enviar mensagens, fazer perguntas, participar da conversa e concorrer aos brindes sorteados durante a edição. Essa dinâmica aproxima a comunidade da pauta esportiva e cria um ambiente de interação permanente. O esporte local ganha voz quando a população participa e reconhece nas histórias apresentadas uma parte da própria cidade.

O papel jornalístico do giro de notícias

A presença de Joice Ristow no giro de notícias amplia a identidade do programa e organiza a informação esportiva da semana. Acontecimentos do esporte local passam a ser apresentados de forma regular, com linguagem acessível e ritmo televisivo. Esse bloco ajuda a consolidar memória esportiva, registra conquistas, acompanha trajetórias e oferece ao público uma visão mais ampla do que acontece dentro e fora das competições.

A valorização dos personagens do esporte

Cada convidado do Resenha Final levará para a televisão uma história que normalmente circula apenas dentro de academias, clubes, quadras, campos e projetos sociais. Essa exposição possui valor concreto. A entrevista pode ser compartilhada depois em cortes, enviada a patrocinadores, utilizada como material de divulgação e incorporada à trajetória pública do participante. A televisão amplia o alcance de quem já trabalha pelo esporte e cria oportunidade para que novas parcerias surjam a partir da credibilidade da apresentação.

A importância de registrar o esporte da cidade

Muitas realizações esportivas se perdem pela ausência de registro e um programa semanal cria continuidade. Ao reunir entrevistas, notícias, participação popular e cobertura regular, o Resenha Final passa a funcionar também como arquivo vivo do esporte de Itajaí. Essa memória fortalece a identidade esportiva do município e contribui para que boas iniciativas tenham permanência simbólica.

Uma agenda permanente para o esporte local

A estreia do Resenha Final representa a abertura de um novo espaço para o esporte itajaiense. A cidade possui praticantes, profissionais, entidades e projetos com potencial para ocupar a televisão com conteúdo qualificado. A cada domingo, o programa poderá aproximar a comunidade desses personagens e transformar a visibilidade em desenvolvimento. Quando o esporte local ganha espaço, ganha também a possibilidade de ser reconhecido, apoiado e fortalecido.

O Resenha Final vai ao ar todos os domingos, das 20:00 as 21:30 horas na TVBE, televisão aberta de Itajaí, SC, no canal 21 e também pelo facebook da emissora ou no www.tvbe.com.br


Airlon Jaques
Profissional de Educação Física, Gestor Público e Escritor
Instagram: @airlonjaques


domingo, 19 de julho de 2026

O estádio que enxerga você


A Copa mudou a segurança

A Copa do Mundo de 2026 consolidou uma nova etapa na segurança dos grandes eventos esportivos. O reconhecimento facial passou a integrar a operação das cidades-sede e milhões de torcedores tiveram sua identidade utilizada durante o acesso aos estádios. A competição estabeleceu um novo padrão tecnológico para eventos dessa dimensão.

Drones entram no planejamento

O governo dos Estados Unidos destinou US$ 250 milhões, cerca de R$ 1,4 bilhão, para sistemas de detecção e neutralização de drones. O investimento demonstra que o espaço aéreo passou a integrar o planejamento da segurança esportiva e recebeu atenção específica durante toda a competição.

Os limites da tecnologia

Relatos registrados durante partidas em Dallas apontaram falhas no controle de acesso em alguns momentos da competição. A FIFA informou que não encontrou evidências de uma invasão organizada. O episódio reforçou a importância de protocolos operacionais eficientes e equipes permanentemente treinadas para atuar ao lado dos sistemas tecnológicos.

Inteligência artificial

A FIFA monitorou mais de 53 milhões de publicações nas redes sociais durante a Copa. O sistema identificou mais de 7 milhões de mensagens abusivas e encaminhou aproximadamente 1.000 ameaças graves às autoridades policiais. A iniciativa ampliou a capacidade de identificação de autores de crimes praticados no ambiente digital.

Proteção de dados

A utilização do reconhecimento facial exige regras claras para tratamento dos dados biométricos dos torcedores. Informações dessa natureza possuem caráter permanente e demandam elevados padrões de segurança para armazenamento e utilização pelas instituições responsáveis.

A realidade brasileira

A Lei Geral do Esporte determina a identificação biométrica em arenas com capacidade superior a 20 mil espectadores. A norma fortalece o controle de acesso aos estádios e acompanha uma tendência internacional de utilização da tecnologia em grandes eventos esportivos.

A realidade de Itajaí

O projeto do novo Estádio Dr. Hercílio Luz prevê capacidade inferior ao limite estabelecido pela Lei Geral do Esporte para tornar obrigatória a biometria facial. Essa condição dispensa a exigência legal, porém não impede sua adoção. A implantação voluntária desse sistema fortaleceria a segurança do estádio, reduziria fraudes na utilização de ingressos e prepararia a estrutura para futuras ampliações ou mudanças na legislação. Planejar essa tecnologia durante a construção custa menos do que adaptar o estádio depois de pronto e representa um investimento compatível com um equipamento público pensado para as próximas décadas.


Airlon Jaques
Profissional de Ed. Física, Gestor Público e Escritor.
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domingo, 12 de julho de 2026

A responsabilidade da FMEL na segurança esportiva

 


A gestão que precisa responder

A morte de uma criança após a queda de uma trave em uma quadra esportiva de Itajaí exige uma resposta administrativa compatível com a gravidade do fato. A Fundação Municipal de Esporte e Lazer conduz a política esportiva do município e ocupa posição central nesse debate. A segurança da infraestrutura esportiva faz parte direta dessa responsabilidade institucional.

O limite da explicação isolada

Itajaí já registrou uma tragédia semelhante em 2010 e vários acidentes menores desde então. A repetição de ocorrência envolvendo o mesmo tipo de equipamento enfraquece qualquer leitura baseada apenas na excepcionalidade. A gestão pública precisa transformar fatos graves em procedimento, controle e prevenção. Quando esse aprendizado institucional falha, a população permanece exposta a riscos conhecidos.

A obrigação administrativa da prevenção

A FMEL precisa tratar a infraestrutura esportiva como área permanente de gestão de risco. Isso exige rotina técnica, registro documental e decisão administrativa rápida diante de qualquer sinal de insegurança. A prevenção precisa sair do discurso posterior ao acidente e entrar na rotina diária da Fundação.

A comunidade como parte do controle

A população utiliza os espaços esportivos todos os dias e muitas vezes percebe o problema antes da administração. Por isso, Itajaí precisa de um canal simples, rápido e funcional para relatar equipamentos defeituosos ou em situação de risco. A denúncia precisa gerar protocolo, vistoria e resposta objetiva. Sem esse caminho direto, a informação se perde, o risco permanece e a responsabilidade pública fica diluída.

O ponto central da cobrança

A cidade precisa saber qual era o controle existente sobre aquele espaço, qual setor acompanhava sua condição de uso e quais procedimentos eram aplicados para liberar ou restringir o acesso da população. Essas respostas pertencem ao campo da gestão pública. A ausência de informação clara aprofunda a insegurança institucional e fragiliza a confiança da comunidade.

A resposta necessária

A FMEL deve apresentar um plano objetivo de segurança para a infraestrutura esportiva municipal. A medida precisa definir responsabilidade, fiscalização contínua, canal de denúncia e transparência sobre as condições dos espaços utilizados pela população. Uma política esportiva séria protege o usuário antes de promover qualquer atividade.

O teste da gestão esportiva

A qualidade de uma Fundação de Esporte se mede também pela capacidade de garantir segurança nos espaços sob sua influência administrativa. A tragédia ocorrida em Itajaí colocou essa responsabilidade em evidência. A resposta da FMEL dirá se o município aprendeu com o passado ou continuará tratando a prevenção como providência tardia.


Airlon Jaques
Profissional de Educação Física, Gestor Público e Escritor.
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